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Confiança do comércio é a menor desde 2021 às vésperas da Black Friday

· 3 min de leitura · Redação Confi

Dono de pequena loja de roupas confere peças em uma arara enquanto funcionária dobra camisetas no balcão
Imagem ilustrativa gerada por IA.

Quem tem loja conhece bem a véspera de Black Friday: estoque chegando, equipe ajustando preço e aquela dúvida sobre se o cliente vai mesmo aparecer. Neste ano, a dúvida ficou mais pesada. Segundo reportagem da Mercado&Consumo publicada em 29 de outubro, a confiança do empresário do comércio caiu pela quarta vez seguida e chegou ao nível mais baixo desde maio de 2021.

O que a Neotrust projeta para a Black Friday

O contraste aparece quando se olha para as vendas on-line. A projeção da Neotrust, divulgada pelo E-Commerce Brasil em 13 de outubro e calculada com transações reais de mais de 7 mil lojas parceiras, aponta para os quatro dias da Black Friday, de 26 a 29 de novembro:

  • Faturamento de R$ 13,3 bilhões, alta de 20,7% sobre os R$ 11,03 bilhões do mesmo período de 2025
  • 69,4 milhões de produtos vendidos, crescimento de 15,4%
  • Moda e acessórios com R$ 1,38 bilhão, alta de 44,2%
  • No 11.11, faturamento de R$ 3,17 bilhões, alta de 21%

O humor do comerciante, segundo a CNC

O Índice de Confiança do Empresário do Comércio, o Icec, da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, mostra um retrato bem menos animado. Em outubro, segundo a CNC:

  • O índice caiu 2,7% e ficou em 96,7 pontos, abaixo da linha de neutralidade
  • A avaliação das condições atuais recuou 5,5%, para 68,2 pontos, o menor nível da série
  • 78,2% dos comerciantes veem a economia piorando
  • O varejo de semiduráveis, como roupas, calçados e acessórios, teve a maior queda: 5,4% no mês

O comércio acende um alerta para todo o País ao entrar no período mais lucrativo do calendário, sob cautela.

José Roberto Tadros, presidente da CNC

A CNC liga parte do desânimo das lojas de semiduráveis à concorrência estrangeira depois do fim do imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50, a chamada taxa das blusinhas. Citando dados da Receita Federal, o relatório informa que as declarações de remessas internacionais passaram de 14,4 milhões para 25,7 milhões em setembro, na comparação anual.

Os dois números medem coisas diferentes e não se anulam. A Neotrust projeta vendas on-line em lojas parceiras; a CNC mede a percepção do empresário do comércio como um todo, com muita loja física no meio. Ainda assim, chama atenção que a moda apareça ao mesmo tempo como um dos destaques de crescimento na projeção da Neotrust e como o segmento com a maior queda na pesquisa da CNC. Uma leitura possível é que a venda existe, mas está mudando de canal e de endereço.

Ainda faltam quatro semanas para a data, e expectativa de empresário costuma oscilar bastante nesse período. O que já dá para dizer é que a disputa pelo cliente vai ser apertada, com o consumidor comparando preço em loja nacional, marketplace e site estrangeiro antes de clicar.

Fontes

  • Neotrust
  • Black Friday
  • CNC
  • confiança do comércio
  • cross-border

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